MARGS E CASA FIAT DE CULTURA APRESENTAM GUIGNARD E O ORIENTE: CHINA, JAPÃO E MINAS Exposição do pintor brasileiro abre no dia 16 de setembro
A mostra Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas, que o Museu de Arte do Rio Grande do Sul inaugura no dia 16 de setembro, destaca a relação natural e concreta da obra de um dos maiores pintores brasileiros, que viveu em Minas Gerais desde a década de 1940, com as tradições artÃsticas orientais. Com curadoria do crÃtico Paulo Herkenhoff e concepção de Priscila Freire, ex-diretora do Museu de Arte da Pampulha de Belo Horizonte, a exposição é resultado de uma vasta pesquisa e incorpora um conjunto de 45 pinturas de Guignard e paisagens de seu contemporâneo, o mestre chinês Zhang Daqian, que viveu em São Paulo na década de 1950, gravuras japonesas da tradição Ukyio-e, fotografias e objetos como um biombo chinês, um relógio e um oratório de meados do século 17 com moldura à moda de laca chinesa.
A mostra é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria de Estado da Cultura, com a Casa Fiat de Cultura e tem patrocÃnio da Fiat Automóveis. âNão há fronteiras para a arte. Por acreditar em tal ideia é que a Casa Fiat de Cultura busca levar as obras dos grandes artistas do mundo a diversos pontos do Brasil. A partir do dia 16, os gaúchos poderão apreciar a beleza, a intensidade e a inspiração dos quadros de Guignard, que, com seu olhar também sem fronteiras, nos revela, nesta exposição, a força da aproximação entre o Ocidente e o Orienteâ, destaca o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira.
Desde o inÃcio da década de 1980, historiadores do Rio de Janeiro apontaram referências de Guignard à tradição da pintura chinesa, das paisagens verticalizadas que correm sobre a superfÃcie da tela e dispensam a perspectiva linear com ponto de fuga. As pesquisas de Paulo Herkenhoff levaram-no à conclusão de que a relação de Guignard com a arte chinesa é bem mais complexa, passando por outras questões como a representação da nuvem, formas de mobiliário, traços ideogramáticos ou modos de disposição de objetos no céu. Diagnosticou a influência do efeito de treliça da gravura japonesa do Ukiyo-e nas paisagens do Jardim Botânico do Rio de Janeiro ou do Parque Municipal de Belo Horizonte.
O curador estabeleceu um terceiro foco da relação de Guignard com o Oriente: as chinesices que proliferaram nas igrejas coloniais em Minas Gerais. Outro ponto de sua argumentação relaciona a obra de Guignard à fundação do Serviço de Proteção ao Patrimônio Histórico e ArtÃstico Nacional. Segundo Herkenhoff, uma paisagem de Guignard pode ser um complexo campo arqueológico da história. âA matéria pictórica não se sobrepõe como camadas de sedimentos, mas realiza seu oposto: o signo pictórico expõe Ãndices - melhor seria chamá-los de vestÃgios. A transparência do óleo aposto e o traço indicial do pincel constituem vestÃgios daquilo que alguns denominariam memória e outros, história. O pincel do arqueólogo é um dos instrumentos de retirada de toda matéria sedimentar que paulatinamente se depositou e encobriu os objetos encontrados de um sÃtio arqueológico. O pincel de Guignard os torna visÃvel. Sua operação arqueológica é constituir a presença da história.â
Para Herkenhoff, os vestÃgios históricos da paisagem de Guignard são a memória subjetiva, a história colonial contagiada pela modernidade (o trem de ferro e a fábrica) e a história da arte cruzada em construção transcultural para abrigar o Oriente. à necessário, segundo ele, pensar numa segunda dimensão de arqueologia na pintura do artista. âJá não lhe basta inscrever a história, mas cumpre estabelecer múltiplas ocorrências: a tradição europeia renascentista e romântica, a arte chinesa e japonesa e a herança colonial brasileira.â Outra abordagem de Herkenhoff é a relação fenomenológica da formação das montanhas e das nuvens, os processos de flutuação e da gravidade visÃvel, que teria um pé na arte europeia e brasileira (Visconti e outros), além da oriental.
Serviço
Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas
PerÃodo: 16 de setembro a 7 de novembro de 2010
Visitação: terças a domingos, das 10h à s 19h â entrada franca
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Porto Alegre, 19 de agosto de 2010
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