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O CRAVO NO BRASIL
A HISTÓRIA DO CRAVO


    O Cravo é um instrumento pertencente ao grupo de cordas pinçadas, ou seja, geram o som tangendo ou beliscando uma corda, ao invés de percuti-la como no piano. Essa família de instrumentos (cravo, virginal, espineta) teve origem quando um teclado – já utilizado nos órgãos – foi anexado a um saltério, fornecendo desta maneira um meio mecânico de tanger as cordas.

    O saltério é um dos instrumentos mais antigos que se tem notícia. Possui variado número de cordas montadas sob uma caixa acústica de madeira. Sua forma é triangular e o som é produzido dedilhando as cordas. Era muito difundido na antiguidade, também como instrumento popular. Frequentemente encontramos a figura do Rei David (em torno de 1006 AC), segundo rei dos Hebreus, tocando saltério.

    O cravo, ou melhor, o saltério mecanizado, teve a sua origem no século XIV. Esse instrumento perdeu-se no tempo e dele não restou nenhum exemplar. Já no século XVI esse instrumento desenvolveu-se ao aumentar as suas dimensões e aperfeiçoar a sua mecânica. A extensão do teclado foi aumentada e o instrumento adquiriu mais um jogo de cordas e, conseqüentemente, mais um teclado. O apogeu do cravo, como hoje o conhecemos, deu-se nos séculos XVII e XVIII.

    Toda a música nessa época era feita à volta de um cravo: conjuntos de câmara, obras orquestrais, óperas. Era o instrumento utilizado para o entretenimento dos nobres nas cortes européias. Para a prática musical cotidiana das famílias, era utilizada a espineta, instrumento da família do cravo, diferenciando-se apenas pela sua forma. Era menor e mais leve, tinha apenas um teclado e um conjunto de cordas. Entre os grandes compositores que dedicaram ao cravo suas obras mais significativas podemos citar J.S. Bach (1685-1750) na Alemanha, a família Couperin (entre 1626 até 1733 ) na França, e D. Scarlatti ( 1685-1757) na Itália.

    No final do séc. XVII surgiu o instrumento que iria dominar toda a música para teclado dos séculos seguintes: o piano.

    Com o advento desse novo instrumento e das grandes salas de concertos, o cravo foi “esquecido” durante quase 200 anos, tendo sido resgatado no séc. XX por compositores como M. de Falla e Poulenc que, inspirados pela riqueza dos timbres do instrumento, dedicaram a ele algumas de suas mais importantes composições.

    Contemporâneos como G. Ligheti, C. Santoro, Willi Correia de Oliveira, Lidenberg Cardoso, Luiz Mucillo, W.Henze e muitos outros, contribuíram, com as suas obras, para que o cravo deixasse, definitivamente, de ser considerado um instrumento dedicado exclusivamente à música antiga, voltando a ser uma fonte de inspiração para os compositores dos nossos dias.