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AMILCAR DE CASTRO
NA CASA FIAT DE CULTURA

CRONOLOGIA


    Nascido em oito de junho de 1920, em Paraisópolis, Minas Gerais, Amilcar Augusto Ferreira de Castro Filho teve infância marcada por constantes mudanças de cidades devido à profissão do pai, o então promotor Amilcar Augusto de Castro. Sua formação aconteceu em Belo Horizonte, onde estudou direito (1940-1944) e iniciou o aprendizado artístico com o pintor fluminense Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) e, em escultura, com o austríaco naturalizado brasileiro, Franz Weissmann (1911-2005).

    Em busca de novos desafios, em 1952, Amilcar de Castro mudou-se para o Rio de Janeiro e, quatro anos mais tarde, começou a carreira de diagramador e programador visual na Revista Manchete, deixando de lado a advocacia. A reforma gráfica realizada para o Jornal do Brasil o tornou referência na área.

    A seleção da primeira de suas esculturas para a 2ª Bienal de São Paulo, em 1953, abriu-lhe novos caminhos. Em cobre, inspirada na "Unidade Tripartida" _ trabalho do artista suíço Max Bill _, a peça inaugural da pesquisa tridimensional em dobra de Amilcar de Castro partiu de raciocínio aparentemente simples. Ao unir três placas retangulares de cobre, dobradas cada uma delas pela diagonal, obteve escultura de formato triangular e vazada ao centro.

    Seu trabalho como escultor, nas cinco décadas seguintes, foi um desdobramento da exploração do pensamento construtivo contido nesta obra seminal. "Minha primeira escultura de dobra foi de cobre. Depois dessa continuei dobrando, cortando e dobrando. De 1952 até hoje estou fazendo a mesma escultura. Não tiro pedaço da chapa de ferro. Apenas corto e dobro", repetia o artista.

    Neocontretismo

    Amilcar de Castro esteve no centro do grande debate sobre os rumos da arte brasileira do pós-guerra: o Movimento Neoconcreto. Em contraposição aos artistas paulistas, defensores do Concretismo -visão racionalista, mecanicista e sem uso de abstração -, a vanguarda carioca, da qual ele fazia parte, seguiu outras diretrizes. Reunido em torno dos preceitos do Neoconcretismo, o seu grupo buscou nova reflexão partindo dos ideais construtivistas e se aproximou do universo intuitivo, sensível e simbólico. As idéias do movimento foram sintetizadas num documento, o "Manifesto Neoconcreto", publicado em 22 de março de 1959 no Suplemento Dominical do JB.

    O Prêmio Viagem ao Estrangeiro no 16º Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro deu-lhe o direito de escolher outro país para viver uma temporada. Enquanto definia o destino, foi surpreendido por uma das maiores distinções da arte internacional: a Bolsa Guggenheim. Em março de 1968, com os recursos das premiações, partiu com a família para os Estados Unidos. No novo país, a dificuldade em encontrar o ferro oxidado para dar continuidade às maquetes levadas do Brasil aproximou-o de outro material: a chapa de aço inoxidável. O resultado foi mostrado em 1969, em sua primeira individual da carreira, na Kornblee Gallery, em Nova Iorque.

    Retorno

    Após quatro anos, ao regressar ao Brasil, optou por morar em Belo Horizonte, onde retomou a pesquisa tridimensional com o ferro e começou a lecionar arte, inicialmente na Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), depois na Escola Guignard (UEMG) e, mais adiante, na Escola de Belas Artes (UFMG). Nestas instituições teve atuação fundamental para a formação de gerações de artistas mineiros.

    O trabalho como escultor, desenhista e projetista gráfico aconteceu paralelamente. Suas participações em exposições tornaram-se constantes nas décadas seguintes, assim como o crescente reconhecimento da crítica e do mercado especializado. Do início ao fim da atividade, só interrompida ao morrer no dia 21 de novembro de 2002, não lhe faltaram sonhos. Como poucos, o artista Amilcar de Castro deixou rastro de coerência por onde trilhou, construindo na esteira desses sonhos legado à altura da melhor tradição escultórica brasileira.

    Matéria-Prima

    As esculturas de Amilcar de Castro parecem brotar do chão ferroso de Minas Gerais. Antes de adotar o ferro para a feitura das obras, o artista fez pesquisas com o barro, o gesso, o arame, cobre e aço inoxidável, até conseguir domar a principal matéria-prima do estado, numa pesquisa que o levaria a opção de uma vida inteira.

    As chapas de aço usadas inicialmente não resistiram ao aparecimento da oxidação. A solução para a perenidade dos trabalhos apareceu quando começaram a ser comercializadas no Brasil as chapas de aço anticorrosivas, próprias para navios e pontes. O tipo de aço produzido pela Usiminas (USI-SAC-41 e 50), Gerdau/Açominas (ASTM- A 588) e CSN (Cor-Ten) cria uma capa protetora na área externa da peça isolando o oxigênio, e impedindo a deterioração.

    O resultado plástico do novo produto assemelha-se à cor do ferro e veio ao encontro da busca de Amilcar de Castro, que não admitia pintar as esculturas. “Seria falsificar o que mais gosto”, afirmava ele sobre a ferrugem, a cor de Minas, que, ao longo dos anos, virou também marca registrada de sua obra.


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    Sérgio Rodrigo Reis
    Texto Curatorial